Schmidt Cassegrain: Colimação

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Todos os tipo de telescópios para fornecer uma imagem com boa qualidade e para utilização com propósitos sérios como astrofotografia de alta resolução e alta amplificações visuais precisa estar com seus espelhos o mais alinhado possível, esse alinhamento óptico se chama COLIMAÇÃO.

Nesse tutorial irei mostrar como se procede para fazer a colimação dos telescópios Schmidt Cassegrain, seja Celestron ou Meade, ambos usam o mesmo sistema para a colimação. Irei usar a sigla SCT ( Schmidt Cassegrain Telescope) para abreviar e deixar o texto mais dinâmico.

Tanto os modelos da Celestron ou Meade usam apenas o espelho secundário para atuar na colimação.

1- Como saber se precisa ou não de colimar seu SCT?

Antes de qualquer tentativa de colimar, convém que o observador tenha certeza que o telescópio esteja realmente descolimado. Para isso é preciso saber detectar  a descolimação: poderá ser ligeira ou uma grande descolimação, nessa fase não se deve mexer em nenhum dos três parafusos do secundário, a intenção é apenas ver o grau de desalinhamento óptico.

A- Grandes descolimações:

Está verificação é simples, utilizando uma estrela brilhante que esteja bem alta no céu      ( magnitude entre 1 e 3 ) como referência e bem centrada na ocular, de preferência em uma noite com seeing bom onde a imagem estelar se move muito pouco e usando uma amplificação de 1x por milímetro de abertura desfoque a imagem da estrela extrafocal    ( foco para a direita) e veja como se comporta os anéis de difração, em grandes descolimações sempre se vê a imagem do secundário descentrada e os anéis de difração desiguais com uma parte afinando e outra engrossando. Também é possível observar essa grande descolimação de dia, como citarei na parte 2, colimando seu SCT.

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Grande descolimação

B- Pequenas descolimações

Para detectar pequenas descolimações repete-se o procedimento acima, porém dessa vez usando uma amplificação de 2.3x por milímetros de abertura. Desfocando menos , de modo a obter uma imagem com cerca de 1/7 do diâmetro do campo, o desalinhamento será mais óbvio e os anéis de difração  serão mais marcados, nessas condições se notará as pequenas descolimações, mesmo que no teste anterior tudo parece colimado. Até aqui foram feito apenas o teste pra saber o quanto se tem necessidade de fazer ou não a colimação, os passo para a colimação será referido adiante.

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Pequena descolimação

 

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Colimação perfeita

2- Colimando os SCT

A colimação é gradual e sensível, na maioria das vezes se faz por aproximações  sucessivas, ainda mais quando se começa com grandes descolimações. A princípio , quando se mexe nos parafusos de colimação não se deve apertar com excesso , se um parafuso não apertar mais, desapertar o parafuso antagonista, obtendo o mesmo resultado e nunca se desaperta simultaneamente os três parafusos, isso pode ter consequências trágicas para o secundário e até mesmo para o primário, pois soltando os três parafusos de uma vez o secundário ficará totalmente solto e virá a cair . Outra dica, se tiver alguém que possa ajudar na colimação pode ser mais fácil de fazer, pois um aperta ou solta os parafusos enquanto a outra pessoa faz a orientação de qual parafuso mexer, principalmente se for um SCT acima de 10″.

O efeito produzido ao rodar um parafuso é muito maior do que parece a primeira vista, então sempre fazer volta que sejam entre 1/2 a 1/4 de volta, para finalizar pode chegar a 1/10 de volta.

O primário é alinhado permanentemente de fábrica só se utiliza os três parafusos do secundário, então, vamos começar na prática.

Para chegar em uma colimação perfeita é necessário fazer a colimação grosseira, essa colimação se faz de dia ou a noite como referido acima), apontando o telescópio para algo brilhante ( nunca para o Sol sem proteção adequada ). Em seguida retirar a ocular e diagonal e inserir se tiver uma ocular Cheshire, caso não tenha pode fazer a observação normalmente, porém pode ser um pouco confuso.

Olhando pelo furo da Cheshire, vê-se a reflexão da placa corretora e um disco escuro central, que é a sombra do secundário, dentro dessa sombra poderá ver a reflexão do furo da Chesrise, se o telescópio estiver muito descolimado a reflexão da placa corretora, a sombra do secundário e o furo da Cheshire por onde se está observado estará visivelmente descentrada, se a colimação for ligeira, tudo parecerá bem concêntrico. Se ao observar pela Cheshire e notar que as reflexões estão bem centradas o próximo passo será bem mais simples.

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A colimação desde a grosseira até a colimação fina, se faz do mesmo modo, sempre ajustando os três parafusos da célula do espelho secundário, o que mudará é apenas o curso sempre menor de voltas dos parafusos conforme se avança na colimação.

Os três parafusos na maioria dos SCT são com cabeça Philips, nesse tipo é necessário a utilização de uma chave pra pode fazer a colimação, há também uma opção que não é necessário a utilização de nenhuma ferramente, apenas os dedos, são o parafusos Bob’s Knobs, que facilita muito na colimação e não ha riscos de danificar a placa corretora, com parafusos que necessitam de ferramentas, corre-se o risco de sem querer danificar ou riscar a placa corretora.

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Parafuso Philips
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Parafusos Bob’s Knobs

3- Passo a passo para a colimação dos SCT

Escolhida a estrela próxima do zênite e noite com seeing tranquilo, começa desfocando a imagem da estrela para direita ( extrafocal ), vendo como os anéis estão a primeira coisa a se fazer é passar o dedo em frente a placa corretora sem tocar nela até coincidir com o  ponto que a imagem da estrela desfocada esteja mais fina, isso olhando através da ocular a 2.3x por milímetros de abertura.

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Assim que se passa os dedos na borda da placa o observador verá na ocular a imagem da estrela desfocada e a marca dos dedos , assim é só girar os dedos até que a marca dos dedos visto na ocular fique no mesmo ponto que a imagem estelar esteja mais fina, nesse ponto se a marca dos dedos ficar coincidindo com um parafuso é nesse que se deve apertar ou desapertar, veja foto.

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Se o dedo ficar apontando entre parafusos aperta- se ou solta o se antagonista, como na foto abaixo.

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Conclusão, o segredo é ver onde o dedo aponta, isso olhando na ocular com a imagem estelar desfocada, assim se o dedo apontar diretamente para um parafuso, atua-se nele, apertando ou soltando, se o dedo fica entre parafusos aperta-se ou solta o antagonista.

3- Colimação Fina

Para que o telescópio dê as melhores imagens devemos fazer a colimação fina, que é a última fase da colimação. Para isso, foque bem a estrela, usando uma amplificação de 2,5x por milímetros de abertura, é necessário uma noite muito calma, com seeing excelente para poder ver o disco de Airy e ao menos o primeiro anel de difração, idealmente esse anel tem que ser totalmente uniforme ao redor do disco de Airy, feita a colimação normal esse processo fica bem mais simples. Para chegar a esse ponto usar as mesma dicas descritas acima, porém o curso de aperto e desaperto dos parafusos é cada vez menor. A foto abaixo mostra como deve ficar o primeiro anel de difração ao redor do disco de Airy.

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Com essas simples dicas é possível fazer a colimação com muita tranquilidade e excelente precisão, mesmo pra quem não tem experiência ou vai colimar pela primeira vez.

Este foi o tutorial sobre colimação dos telescópios SCT, espero ter ajudado a quem precisa fazer esse procedimento que as vezes parece muito difícil a primeira vista.

Céus limpos a todos.

 

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